Poluição do ar em São Paulo pode gerar câncer, dizem estudos

Ouvimos a todo o tempo que comer alimentos muito gordurosos, se estressar demais no dia a dia e não fazer exercícios podem resultar em problemas graves de saúde. A combinação desses três fatores, por exemplo, aumenta a probabilidade de aparecer câncer na gente.

E isso não vale só para o brasileiro, não. É o cenário do mundo todo. Agora, o que também pode ser incluída nessa lista perigosa aqui no Brasil, principalmente em São Paulo, é a poluição.

Duas pesquisas publicadas no ano passado nas revistas Cancer Epidemiology e Environmental Research mostram que a poluição gerada pelos 8,6 milhões de veículos na capital paulista faz crescer a incidência de câncer no aparelho respiratório.

Os estudos

Ambos os estudos foram desenvolvidos por Adeylson Guimarães Ribeiro, um mineiro de 44 anos. Ele cruzou a concentração dos carros, motos, ônibus, caminhões, etc, e casos de câncer e chegou a uma proporção.

O que ele conseguiu ver foi que “o aumento na densidade de tráfego em relação ao valor médio esteve associado a um acréscimo de pelo menos 7% na incidência de câncer do aparelho respiratório.”

Ribeiro fez esse levantamento para usar na tese de doutorado em 2018 na Faculdade de Saúde Pública da USP. Ele é um dos membros do Núcleo de Pesquisas em Avaliação de Riscos Ambientais.

A inspiração para encontrar um método que se adequasse à cidade com mais habitantes do Brasil veio de estudos parecidos na Europa, América do Norte e também na Ásia.

Como foi?       

Ribeiro usou duas bases de informações: uma para mortalidade por câncer de aparelho respiratório feita pela Secretaria Municipal de Saúde e outra do Registro de Câncer de Base Populacional de São Paulo.

A primeira indicava 19.500 mortes entre 2002 e 2013 e, a segunda, 15.411 ocorrências desse câncer entre 2002 e 2011. No primeiro estudo, o pesquisador usou a divisão do IBGE para a cidade, que é dividida em 310 áreas. No segundo, utilizou 6.384 divisões.

Depois disso, ele transformou São Paulo em áreas de 500 metros quadrados para descobrir como os poluentes influenciavam cada uma delas. O estudioso fez uso de uma fórmula com base na densidade de carros.

Cada área foi batizada com um número, considerando dados de volume de tráfego e quantidade de ruas. Para ele, quanto maior a densidade de veículos em uma região, maior o risco para o aparecimento e a morte por câncer respiratório.

Poluição pode ser fatal

A OMS (Organização Mundial de Saúde) informou que 4,2 milhões de pessoas morreram em 2016 por doenças relacionadas à poluição do ar.

 Esse número refere-se ao planeta.

De acordo com dados do Inca (Instituto Nacional de Câncer), no sudeste do Brasil foram 12.533 mortes que acabaram acontecendo por câncer de brônquio e pulmão; e traqueia.

E a expectativa para esse ano de 2019 é de que sejam registrados 31.270 novos casos no nosso país.

Oncologistas alertam que alguns poluentes do meio urbano não podem provocar só o câncer de pulmão, mas uma infinidade de doenças respiratórias.

No segundo estudo, o mineiro teve a ajuda de um colega pesquisador da Holanda. Os dois consideraram a cidade em quatro regiões, de acordo com o desenvolvimento social de cada uma.

O chamado IDHM (Índice de Desenvolvimento Humano Municipal). As áreas funcionavam como cidades independentes, dividas entre IDHM baixo (onde moram os mais pobres), médio, médio-alto e também alto.

No entanto, enquanto os dois estudavam sobre o assunto, apareceu uma surpresa: embora a população mais rica viva em lugares com maior movimentação de carros, quem mais fica doente com a poluição são os moradores da periferia.

Isso acontece porque eles ficam muito mais tempo no trânsito, indo do trabalho para a casa e vice-versa.