Para envelhecer não precisa deixar de ir à balada

Quem nunca ouviu dizer que “você não tem idade para isso” ou que “a idade chega para todo mundo”, não é mesmo? Só que não é bem assim para os idosos que vivem na Europa, especificamente em Madrid.

A jornalista Luiza Sahd, do portal Universa, do UOL, conta que levou um choque ao chegar à capital espanhola em 2015. Todos os bares da cidade contavam com mesas ocupadas por um percentual grande de velhinhos.

E eles não tinham (e ainda não têm) lá os costumes tão saudáveis: comem frituras, fumam, bebem… E mesmo assim: não morrem tão cedo! A Espanha está no quarto lugar no ranking mundial de expectativa de vida.

Por lá, pode-se alcançar os 82,9 anos, ficando atrás apenas de Japão, Suíça e Singapura.

E os brasileiros?

Então, olhando o mundo ao seu redor… Luiza Sahd pensou que os idosos brasileiros estavam fazendo algo de errado com suas vidas. A começar pelos seus avós, que maneiravam na vida noturna, nos hábitos mais radicais.

Os números chamam a atenção. A expectativa é que até 2040, os espanhóis assumam a ponta do ranking com 87,4 anos de vida.

Tudo isso fazendo o que sabem fazer bem: curtindo, fumando, bebendo e comendo tapas – um prato bem típico de lá, que se resume a um pão com “alguma coisa não muito nutritiva”, segundo Luiza.

Ah! E tem mais: não pense que o sereno da madrugada em Madrid afeta a saúde dos idosos não. Em fevereiro, a mínima não passou dos -2ºC ou -3ºC. E está tudo bem!

Situações

Várias outras situações vivenciadas pela jornalista mostram o ânimo das pessoas mais velhas. Ela conta que uma que uma vez ficou hipnotizada por uma senhora com idade para ser sua avó.

A mulher rebolou a noite inteira em um show com uma vitalidade, uma disposição que muitas novinhas de 20 anos não têm. Ela ficou tão surpresa, que uma amiga da Espanha se surpreendeu com o seu espanto.

Luiza até tentou explicar que os avós de metrópoles brasileiras eram mais de ficar em casa, assistindo televisão à noite ou jogando baralho. A amiga não entendeu nada e, palavras de Luiza, “provavelmente vai viver os 80 e muitos anos porque nem sequer pensou que ‘velhice’ era hora de se retirar do meio social”.

Expectativa de vida na Espanha

A alta expectativa de vida espanhola é explicada por algumas teorias. A primeira é a dieta mediterrânea – rica em verduras, azeite de oliva e vinho.

Também tem o ritmo mais lento de vida, já que os idosos de lá ainda são adeptos da cesta depois do almoço e até a própria arquitetura de cidades como Madrid. Com ela, a preferência é por caminhadas em detrimento ao uso de meios de transporte motorizados.

Ok, 80 e tantos anos de expectativa. O curioso é que viver mais nem sempre é sinônimo de viver bem. O que daria para afirmar sem medo, como diz Luiza, é que o espanhol não tem medo de ser feliz. Eles fazem questão de viver enquanto a vida está aí, sem vergonha dos corpos, das rugas, da idade.

Conversam sem se preocuparem se o assunto está antigo.

Na capital espanhola, a velhice não é pior ou melhor do que a juventude. Os idosos querem curtir o hoje e não chorar abraçados lamentando o passado que não volta mais. O que impressiona é que sempre estão a fim de viver!