Novo estudo mostra que memória viaja no tempo de trás para frente

O que você comeu hoje de manhã? Uma fruta? Estava madura? Qual a textura? Você se lembra a cor ou mesmo onde seu alimento estava guardado?

Independente da sua escolha no cardápio e onde você a pegou, para lembrar destas informações, seu cérebro viajou no tempo para reconstruir as lembranças. Só que tudo isso de trás para frente.

Mas como assim?

No caso do alimento que usamos para exemplificar, você deve ter se recordado do que você comeu de uma forma geral (fruta, pão, bolacha, etc) e só então foi agregando as outras informações, como tamanho, cor, sabor. 

O cérebro humano vai contrário ao que aconteceu de verdade indo para o lado oposto do que se passa quando olhamos para um objeto ou acompanhamos um fato que guardamos na memória.

Por exemplo: na hora de escolher o que você ia comer, sua visão enxergou primeiro os detalhes e depois o alimento em si, mas a nossa memória faz exatamente o caminho inverso.

O que isso interfere na sua vida?

O método de identificação de criminosos é um dos pontos.

A descoberta feita por cientistas do Reino Unido mostra que depoimentos de vítimas e testemunhas de crimes e acidentes podem precisar de uma análise mais minuciosa.

Umas das explicações pode ser que dentro da nossa cabeça existem muitas influências, como o nosso conhecimento de vida e também o que existe e se passa no ao redor do Universo, ficando condicionado a cada indivíduo uma lembrança diferente e particular do que é a realidade.

“Sabemos que nossas memórias não são réplicas exatas das coisas que experimentamos originalmente. A memória é um processo reconstrutivo, influenciado pelo conhecimento pessoal e pelas visões de mundo – às vezes até nos lembramos de eventos que nunca realmente aconteceram”, explica Juan Linde Domingo, um dos autores do estudo.

O estudo

Cerca de 50 pessoas participaram da pesquisa feita na Universidade de Birmingham, no Reino Unido.

A atividade cerebral dos voluntários foi acompanhada por 128 eletrodos que foram colocados na cabeça dos participantes.

Segundo os estudiosos, as mudanças no que acontecia no cérebro de cada um foi monitorada por milésimos de segundo. Ou seja, com muita constância.

O processo para chegar até esta descoberta seguiu de uma forma simples: as pessoas viam algumas imagens de determinados objetos e precisavam associá-los com apenas uma palavra.

Então, os cientistas exibiam a palavra e depois pediam para que os voluntários fizessem a reconstrução mental da imagem com o maior número de detalhes possível.

Algoritmo ajudou no trabalho

Um algoritmo (sequência de instruções para executar ou resolver uma tarefa) foi preparado para decodificar qual o tipo da imagem apresentada e também como os participantes estavam buscando cada parte do que foi apresentado. 

“Conseguimos mostrar que os participantes estavam recuperando informações abstratas e de nível mais alto, diferenciando se estavam pensando em um animal ou em um objeto inanimado, pouco depois de ouvirem a palavra de lembrete”, comenta Maria Wimber, autora da pesquisa.