Medo nos negócios: investidores temem venda de Embraer a Boeing

O ano de 2019 já começou com algumas mudanças relacionadas ao mundo das aeronaves. Para você se situar: em julho do ano passado, o conselho de administração da Embraer autorizou as negociações da companhia com a norte-americana Boeing.

Em dezembro, a Embraer aceitou vender 80% da principal divisão de aviação comercial da empresa para formar uma joint-venture com a Boeing. Isso, segundo um acordo anunciado no dia 17.

A expressão é em inglês e significa um empreendimento conjunto, onde duas entidades se juntam para tirar proveito de alguma situação, sem perder a identidade própria de cada uma.

Atualmente…

Em janeiro, o governo do presidente Jair Bolsonaro afirmou abrir mão do direito de veto que tem na Embraer, quando se trata de questões estratégicas. Foi nesse momento que o conselho da Embraer ratificou o acordo para a joint-venture.

Agora, no último dia 22 de janeiro, a Associação Brasileira de Investidores (Abradin) informou que quer que a Justiça cancele essa decisão. Por isso, deve entrar com ação civil pública para evitar a venda do controle da divisão da Embraer.

A medida foi tomada porque a Abradin acredita que essa transação poderia disparar uma oferta pública de aquisições de ações para os acionistas da fabricante brasileira de aeronaves. Quem cuidará do processo é a 24ª vara civil federal de São Paulo, do Tribunal Regional Federal da 3ª região.

O presidente da Abradin, Aurelio Valporto, enfatiza que não tem nada de joint venture. Ele fala que o que existe é a transferência de patrimônio seguida de venda e que o que restar da Embraer não vai sobreviver se não tiver, a médio prazo, pesados subsídios estatais.

Sem comentários

Os representantes da Embraer disseram que não vão falar sobre o assunto. Depois de tudo isso, a companhia brasileira informou que ao concluir a venda pode ter uma posição diferente de caixa. No entanto, alertou que o lucro deve ser muito pequeno ou até inexistente nos próximos 2 anos.

No mesmo dia que a Abradin assumiu querer entrar com a ação, em 22 de janeiro, o Credit Suisse, que é um banco de investimento e de outros serviços financeiros com sede na Suíça, fez uma mudança: a queda no preço-alvo de recibos de ações da empresa brasileira que eram negociados nos EUA. Eles foram de 28 dólares para 24.

A notícia gerou mais movimentação no mercado financeiro. As ações da Embraer mostravam baixa de 1,2% às 10h50 na Bovespa, cotadas as R$ 19,89. No mesmo horário, o Ibovespa exibia baixa de 0,21%.               
Gigantes juntas

A Boeing é a maior fabricante de aeronaves do mundo e não tem uma linha de médio e pequeno porte, que seria usada para voos regionais. Por isso, ela ficaria em desvantagem diante de outras grandes empresas como a Airbus. Com a parceria, a Boeing consegue acessar esse segmento, em que a Embraer é líder.

Sobre a Embraer             

A Embraer foi fundada em 1969 e teve apoio do governo do Brasil.

Ela é a terceira maior exportadora do país e é sinônimo de modelo em inovação. Ao longo de cinco décadas, a empresa encarou altos e baixos e já esteve perto de falir.

Hoje ela está entre as maiores fabricantes de jatos de passageiros do mundo. A sede da Embraer é em São José dos Campos. Outras unidades estão espalhadas no território brasileiro e fora do país.