Assassinato do Cartunista Glauco

O cartunista Glauco foi assassinado nessa semana. Os corpos do cartunista Glauco Villas Boas, 53 anos, e do filho Raoni Villas Boas , 25 anos, foram enterrados por volta das 10h30 de hoje, no Cemitério Gethsêmani Anhanguera, em São Paulo. Glauco era um dos fundadores e coordenador da Igreja Céu de Maria, do Santo Daime, que funcionava na Vila Santa Fé, onde Glauco morava e foi morto.

O caixão do cartunista Glauco foi coberto por uma bandeira do Corinthians e o do filho com uma bandeira do São Paulo e um berimbau.

O que aconteceu

O desenhista e seu filho foram assassinados a tiros na madrugada de sexta-feira, em Osasco, por Carlos Eduardo Sandfeld Nunes, de 24 anos, que chegou armado à casa de Glauco e discutiu com o cartunista e o filho dele. Glauco e Raoni levaram quatro tiros cada. O suspeito ainda está foragido.

Foto: Kléber Tomaz/G1

O suspeito, o estudante universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes, ainda é considerado foragido pela polícia. Os investigadores tentam identificar uma pessoa que acompanhava o suspeito no local do crime. As testemunhas afirmam que era um homem, que chegou a descer do automóvel posteriormente utilizado pelo estudante na fuga.

Segundo versão da enteada de Glauco, ela chegava em casa quando foi abordada pelo estudante, que estava com uma arma e uma faca. Logo depois, o cartunista veio ao encontro dos dois, ainda no quintal. O delegado afirmou que o suspeito dizia coisas desconexas. Uma delas era a de que pretendia levar Glauco para que ele confirmasse à mãe que o estudante era Jesus.

Houve uma discussão entre o cartunista e o suspeito do crime. Glauco acabou atingido por uma coronhada no rosto. A mulher e a outra enteada presenciaram o momento em que o suspeito disparou quatro tiros contra o cartunista. Raoni Villas Boas entrou na casa em seguida, vindo da faculdade, e também foi atingido por quatro tiros. Eles chegaram a ser socorridos, mas morreram no hospital.

O jovem já teve sessão de acompanhamento psicológico e a polícia investiga se ele possuía envolvimento com drogas.

Conheça o cartunista

Glauco Villas Boas nasceu no Paraná, em 1957. Ele era da família dos sertanistas Orlando, Claudio e Leonardo Villas Boas. Como cartunista, publicou seus primeiros trabalhos em 1976, no “Diário da Manhã” e, em 1977, ganhou seu primeiro prêmio no Salão do Humor de Piracicaba.

Ainda neste ano, passou a fazer parte dos cartunistas do jornal “Folha de S. Paulo“, onde publicava diariamente  tiras de personagens como Geraldão, Geraldinho, Dona Marta, Zé do Apocalipse, Casal Neuras e Doy Jorge, além de charges políticas.

Glauco também fez parte da equipe de redatores dos programas “TV Pirata” e “TV Colosso”, da Globo.

O assassino

O universitário Carlos Eduardo Sundfeld Nunes,  queria ajuda para provar à mãe que é Jesus.

O suspeito rendeu a família e queria levar todos para sua casa para que eles o ajudassem a convencer a mãe de que é Jesus. Glauco resistiu à ideia de levar todos e se prontificou a ir sozinho, mas ainda assim foi atingido por quatro tiros.

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“Ele escolheu o Glauco talvez pelo fato de ele ser um líder e carismático”, disse Oliveira. Quando Glauco já estava entrando no carro, o filho Raoni chegou, de acordo com o parente. O suspeito, ameaçou se matar e chegou a apontar a arma para a própria cabeça.

De acordo com a família, o rapaz tem perfil “problemático”, pois não arrumava emprego e já teve passagem por porte de drogas, possivelmente maconha.

A polícia investiga ainda a possibilidade de envolvimento de outras pessoas.