Regra de Ouro: Começar a Construir de Baixo para Cima!

ouro

Deixem que vos conte uma estória que ouvi e me recorda, tantos anos depois de ser mãe, que se voltasse para trás, sabendo o que sei hoje, faria muitas coisas diferentes. Uma delas seria delegar mais, exigir mais, preparar melhor, atribuir tarefas e ser inflexível na repartição de direitos e deveres. Os filhos são seres que devemos preparar para um mundo cada vez menos tolerante e não é pondo algodão nos seus pés que iremos evitar que alguém os pise. Filhos preparados, generosos, independentes saberão adaptar-se a circunstâncias desfavoráveis, como desemprego, começar numa empresa a partir de baixo, fazer face a frustrações, desempenhar todo o tipo de tarefas sem considerar nenhuma menor, partir para outro país e lutar pelos seus ideias, usar os seus recursos e conhecimentos para tornar o mundo melhor. Mas isso requer pais corajosos que ensinem os seus filhos a construir, a partir de baixo, a sua própria escadaria para subir na vida. Conta assim a minha estória:

«Reinaldo era um jovem príncipe, herdeiro de um grande reino. Todas as manhãs, ao despertar, recebia uma lista de tarefas que devia cumprir. Tarefas que o deixavam muito zangado, porque iam desde limpar os seus sapatos e vestes reais, organizar brinquedos e jogos, até lavar e escovar seu cavalo e organizar o seu quarto. Embora não gostasse, em respeito a seu pai, o rei, ele obedecia. Mas não deixava de ficar a olhar para as terras e os campos infindáveis que pertenciam à sua família, bem assim como os rebanhos, palácios e os súbditos que tinha. No palácio, onde vivia, existiam muitos criados prontos para executar todas as tarefas. Por isso mesmo é que o príncipe não entendia porque razão ele mesmo tinha que limpar os seus sapatos.

Certo dia foi convidado a visitar um pequeno reino para conhecer um príncipe de sua idade, com o intuito de estreitar amizade. O contacto com o herdeiro daquele reino fez Reinaldo pensar ainda mais em como ele era injustiçado. É que aquele príncipe tinha ao seu serviço três servos. Até o banho era preparado por um deles. Nada de tarefas a cumprir. Era só dar ordens. Quando regressou à sua casa, Reinaldo foi logo falar com seu pai:
“Não entendo”, disse ele, “porque é que o senhor faz isto comigo. Sou o seu único filho e herdeiro. Por que devo cumprir tarefas? Devo ser motivo de risos entre todo o povo.” E, despeitado, continuou com o seu reportório de queixas: «Vi hoje, no reino vizinho o que um verdadeiro herdeiro deve fazer: apenas dar ordens.”

O rei, pacientemente, perguntou ao filho: “Como era o reino que visitou? Era grande como o nosso?”, ao que o príncipe respondeu: «É claro que não, pai. É muito menor que o nosso, mais pobre, tem menos súbditos e o castelo real é dez vezes menor que o nosso.” E aproveitou para defender a sua tese: “Veja bem, pai: se num reino pobre, o príncipe pode ter três criados para servi-lo, porque razão eu, num reino tão rico, devo fazer o trabalho dos criados?”

Então o rei replicou com um sorriso compreensivo nos lábios: “Pois é, meu filho. Saiba que há anos atrás, o reino vizinho era vinte vezes maior do que o nosso. Nós crescemos, fomos ampliando e o reinado vizinho foi perdendo território.

O seu avô sempre me dizia: “se você não sabe sequer limpar os próprios sapatos, como poderá cuidar de todo um reino? Se você não é capaz de organizar seu próprio quarto, como irá governar todo um povo?”As tarefas simples, Reinaldo, educam-nos, preparam-nos para executar as maiores. Para comandar é preciso saber fazer. Até mesmo para exigir qualidade. Se você nunca lavou as próprias vestes, como saberá se o outro as lavou bem? Apenas aceitará o que lhe entregam, da forma que vier. » e continuou a história do reino dizendo: «Os seus antepassados foram comprando as terras do reino vizinho, que as perdeu por não as saber administrar. Talvez falte ensinar aos príncipes herdeiros lições de humildade, da importância do trabalho simples, diário. O que me diz, filho amado?”

Então, depois de pensar um pouco, o menino declarou: “digo que tenho uma lista de tarefas para executar agora, e vou começar por limpar os sapatos que se sujaram de lama pelo caminho.”
Esta estória que li, guardei e agora partilho, como todas as estória , é afinal uma lição de vida que merece a nossa reflexão. Depois de a «digerir», dei comigo a pensar: «Caramba! Às vezes tanto queremos tanto poupar os nossos filhos e educandos, que acabamos por não os ensinar a ser independentes. Logo, estamos basicamente a privá-los de «músculos emocionais» que os tornem fortes face às dificuldades inevitáveis da vida!»

Pensem bem e vejam se não tenho razão: hoje os nossos jovens vivem em quartos desarrumados, com camas por fazer, com roupa a monte, com uma incúria total. Este facto não os aflige, não os perturba, nem os envergonha. Não sentem necessidade de contribuir com o seu «quinhão para a casa que os acolhe, não se importam se a mãe está cansada e é obrigada a fazer um dever que apenas a eles pertence. Não estão sequer mentalizados que há tarefas que se fazem por uma questão de principio e que não estão a fazer um favor a ninguém – a não ser a si mesmos – se souberem cuidar do espaço que habitam, da cama onde dormem e das roupas que vestem.

Lamento dizer o que vou dizer, mas é o que eu sinto em consciência, pensando nas minhas próprias falhas neste capítulo: a culpa desta incapacidade de cumprir tarefas, não é deles. È nossa. A culpa é de quem, ao educar, se esquece de ensinar que quem não começa «por baixo», não chega «lá cima». Que quem não sabe fazer, não serve para mandar. Que a humildade é uma qualidade muito mais poderosa e útil do que a vaidade ou a mania de ser superior. Que, na prática, ninguém ama ou respeita gente «metida a besta», que julga ser detentora da razão, com todos os direitos e nenhuns deveres e, tantas vezes, dá ordens sem saber o que significa mandar.

Por isso, seja em relação às tarefas mais humildes, como seja manter arrumado o quarto, tratar do seu pequeno almoço, fazer os deveres escolares ou estudar quando é preciso, sem ser preciso a mamã mandar, tudo são degraus que começam, como todas as grandes escadarias, num primeiro degrau, o mais baixo de todos. São estes primeiros degraus que formam homens e mulheres capazes de caminhar pelos seus próprios pés, enfrentado o mundo e a vida com um personalidade forte e estruturada. Se queremos filhos inteiros e não «mutilados» pela incapacidade de enfrentar as dificuldades da vida, é aconselhável não esquecer que é por baixo e não por cima, que os alicerces de um edifício sólido se constroem… tal como uma educação sensata e bem estruturada deve começar a ser construída!


Colunista
"Escrevo sobre a vida. O que nos torna a todos iguais, sendo diferentes. Escrevo sobre emoções, sobre motivação, sobre medos. Escrevo sobretudo acerca dos pormenores que podem fazer a diferença entre sermos felizes ou infelizes, porque a felicidade é sempre um somatório de pormenores positivos. Há lições intemporais, há mestres intempoais, mas ninguém aprende lições porque nos dizem para aprender. Tudo tem de ser sentido, tudo tem de ser vivido, mas nos acasos da vida, nas estórias partilhadas, encontramos ponteiros, sinais, que nos podem guiar e esclarecer. O meu grande objetivo é ser um ponteiro..apenas um ponteiro nas encruzilhadas fantásticas da existência humana , da qual todos fazemos parte, como uma realidade única. Esquecemos muitas vezes que o que cada um de nós faz, afeta o todo. Que ser um pouco mais feliz, ajuda o mundo a ser um pouco mais feliz também. E ser feliz no meio da rotina, dos problemas, das frustações, das injustiças, requer uma outra visão sobre a vida. Uma visão mais humilde, mas sábia, mais despojada, mais simples. São estes os sinais que gosto de partilhar, porque ninguém ensina ninguém, mas podemos escolher sempre querer aprender..."
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