O que são alimentos transgênicos?

Você comeria algo que fosse geneticamente modificado? Se sua resposta for “que horror! Nunca comeria”, saiba que você pode ter ingerido e não sabe. Salgadinhos Bac’os, macarrão instantâneo Cup Noodles, bebida Pro Sobee, Cereal Shake Diet, creme de milho Knor, salsichas Swift tipo Viena,leite Supra Soy Integral, Nestogeno com soja, Soy Milk, salgados Pringles Original e Mc Cornick Bacon Pieces são alimentos familiares a você? Pois todos contêm algum ingrediente transgênico. Mas calma! Se você já ingeriu algum desses produtos pode parar de procurar marcas ou indícios de mutação em seu corpo. Por falar nisso, esse é o grande medo quando se pronuncia as palavras alimento transgênico. Se você ainda não sabe o que é isso e o que significa para o seu corpo e para o mundo, fique atento à discussão do assunto nas próximas linhas. Ah, aproveite e faça a sua leitura degustando um delicioso pacote de batatinhas. Se ela é transgênica ou não, você irá descobrir.

Todo mundo vestido de cenoura! Os primeiros protestos

Que os transgênicos são polêmicos você já deve saber. O que você pode não saber é que essa polêmica chegou ao Brasil antes de ter chegado aos Estados Unidos. Aqui, os primeiros protestos começaram no segundo semestre de 1998. Nos Estados Unidos em 2000. Na super moderna Europa e na Ásia militantes verdes (não os cientistas, mas pessoas comuns que defendem o meio ambiente) invadiram plantações de plantas modificadas, destruindo quase toda a plantação.

Em novembro de 1998 a associação de agricultura de Karnataka, um estado no sul da Índia, iniciou a “Operação Cremar a Monsanto”, com o objetivo de queimar as plantações de algodão transgênico nos campos de teste. Acontece que a Monsanto é a empresa que mais produz e pesquisa plantas transgênicas no mundo.

Em dezembro do mesmo ano, a organização Euro-Toques, que reúne mais de 2500 gourmets da Europa, lançou um manifesto condenando a introdução de plantas transgênicas na cadeia alimentar. Nesse protesto alegaram que isso equivaleria impor ao público um experimento genético de conseqüências imprevisíveis e irreversíveis.

A reação mais forte aconteceu no Reino Unido depois da descoberta, pelos britânicos, que a soja utilizada em outros alimentos, importada dos EUA, era mistura com grãos geneticamente alterados. Com a forte reação das pessoas, a União Européia, que havia permitido a entrada de soja transgênica em 1996, introduziu em maio de 1998 regras para restringir a entrada de produtos que contivessem soja ou milho modificados.

Finalmente, no Brasil, desde junho de 1998, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) examinou um pedido de comercialização da soja modificada Roundup Ready resistente ao herbecida glisofato da empresa Monsanto. No dia 24 de setembro desse ano, a CNTBio deu a permissão, afirmando que nada haveria a temer do ponto de vista da biossegurança.

No princípio era o DNA

 Tudo bem. E daí? O que esses transgênicos têm de tão assustador e de tão miraculoso? Para entender é preciso saber como eles são produzidos. Guarde a sigla OGM (Organismo Geneticamente Modificado). O primeiro passo para a produção de OGM foi a descoberta do DNA e do código genético. O DNA tem a mesma estrutura de uma dupla hélice (similar a uma escada de corda torcida) e contém todas as informações dos seres vivos, os genes, descoberto em 1953 pelo norte-americano James Watson e pelo britânico Francia Crick, o que lhes valeu o prêmio Nobel de Medicina de 1962. É no DNA (ácido desoxirribonucleico) que está a descrição de sua aparência física, por exemplo. Decifrá-lo ainda é muito complicado.

O DNA contém as bases nitrogenadas Adenina (A), Timina (T), Guanina (G) e Citosina (C), que carregam informações genéticas. Também conhecidas como letras químicas, se combinam e formam pares. O A sempre se combina com o T e o G sempre com o C. Nessas combinações estão todas as informações genéticas de um ser vivo. Apenas quatro letras dão a informação completa de qualquer coisa que tenha vida. Depois de decifrado esse código pode-se descobrir qual o gene faz você ter olhos castanhos e qual faz certa planta ser mais resistente a herbicida.

Então transgênico é todo organismo que recebe um ou mais genes estranhos transferidos artificialmente e que não possuíam originalmente, por isso o nome – “trans-genes). Seria a “transfusão” de um gene de um ser vivo para outro.

Transgênicos Multiuso

Existem três tipos de pesquisa dos transgênicos. A primeira diz respeito ao desenvolvimento de plantas resistentes a pesticidas e a pragas. O mais conhecido é a soja Roundup Ready, da Monsanto, tolerante ao herbicida glifosato, mas há outras plantas resistentes ao veneno, por exemplo (como uma variedade de arroz que a empresa AgrEvo tenta introduzir no Brasil). A idéia é tornar a planta produtora indestrutível ao veneno, transferindo-lhe um gene com o código genético de uma proteína que funciona como antídoto. Desse modo, a aplicação do pesticida poderia ser feita a qualquer momento, garantindo a morte de ervas daninhas sem provocar prejuízos à plantação. Já os OGMs resistentes a insetos obedecem a um princípio diverso. Em lugar de antídotos as plantas recebem genes para fabricar o próprio veneno (inseticidas). Assim não seria necessário privilegiar o campo para controlar pragas como lagartas e besouros, pois eles morreriam ao se alimentar da própria planta. É o caso de todas as variedades de milho, algodão e batata batizadas de “Bt”, que são plantas que receberam um gene da bactéria Bacillus thuringunsis para produzir uma toxina que destrói o aparelho digestivo do inseto.

O segundo tipo de experiência com transgênicos é a pesquisa de alimentos enriquecidos de vitaminas que originalmente não possuíam. O caso mais famoso é o do “arroz dourado”, conhecido pela sua coloração amarelada. Desenvolvido pelo professor Ingo Potrykus do Instituto Federal de Tecnologia da Suíça e pelo seu colaborador Peter Beyer da Universidade de Freiburg, Alemanha, o arroz (Oryza sativa) recebeu um transplante de genes da erva nativa do Mediterrâneo narciso e da bactéria erwina. O resultado foi um cereal muito rico em betacaroteno, o agente construtor da vitamina A. A vitamina previne a cegueira noturna e fortalece o organismo contra doenças infecciosas. A glória desse arroz está em ser, possivelmente, o grande provedor alimentício da África, Ásia e América Latina. Entre os asiáticos, o arroz representa entre 50% e 80% da ingestão diária de calorias.

O terceiro tipo de pesquisa pode resultar nos nutracêuticos, alimentos provedores de hormônios e vacina. Como assim? Seria comida capaz de prevenir doenças. Ainda não entendeu? Então vamos às explicações. A estatal Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Minas Gerais, estuda o projeto de uma alface com proteína Lack 1. A proteína deixaria a alface capaz de imunizar contra a doença leishmaniose. Atualmente está sendo estudada a soja modificada para produzir insulina e hormônio do crescimento humano.

Outra pesquisa dessa etapa foi feita pelo professor Schuyler Korban, da Universidade de Illinois, nos EUA. O objeto de estudo foi um tomate do tipo cereja, que recebeu uma proteína encontrada na membrana do vírus respiratório sincicial. O tomate produziria antígenos do vírus agente de infecções em crianças e idosos.

O muro que separa ideologias

 Até agora foram vistos pesquisas que seriam benéficas ao seres humanos se não fossem tão incertas. Essas dúvidas fizeram com que o professor da Universidade Cornele nos EUA e entomologista, John Losey, publicasse na edição 214 no dia 20/05/1999, na Revista Nature, um artigo resultado de sua pesquisa, intitulado “Pólen Transgênico Prejudica Larvas de Monarca”.

Em laboratório alimentou larvas da borboleta monarca Danous plexippus com folhas de plantas encontradas nos arredores de plantação de milho. Algumas das folhas haviam sido aspergidas com pólen de milho transgênico, outras com pólen de milho normal e outras não recebiam pólen. Os três grupos de larvas tinham dietas diferenciadas. O resultado foi que lagartas cevadas com pólen transgênico comiam menos, cresciam mais lentamente e apresentaram mortalidade acentuada. O próprio professor admitiu que houve erro na pesquisa, mas a repercussão do artigo fez aumentar o preconceito aos transgênicos.

Se trazem benefícios ou se deixam indivíduos mutantes, isso ainda é uma incógnita. A ciência ainda não é exata e não prevê o futuro. No máximo é ainda aprendiz da arte de prever o futuro. Ora erra, ora acerta.

Os mais graves empecilhos às pesquisas dos transgênicos são a falta de informação e o preconceito. Sanado o déficit e as conclusões precipitadas é possível estudar a fundo e com afinco sobre a questão. Uma resposta às dúvidas quanto ao efeito da ingestão de OGM seria o experimento. Seja em ratos, seja nos próprios cientistas experimentando seus alimentos. A única resposta será….esperar. Esperar para ver o que acontece.

Enquanto leu a proposta de discussão você comeu a batatinha? Se comeu, olhe no espelho. Há algo errado?


Colunista
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1 comentário nesta dicaComente!
  1. é muito chato isso

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